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Artigo

21 de Novembro de 2016 às 22:34


ARTIGO - A democracia é um valor de todos nós

Rubens Pereira Jr é advogado, deputado federal e vice-líder do PCdoB na Câmara. 
Artigo publicado originalmente no Jornal Pequeno

O poder do povo e a liberdade do indivíduo para se manifestar e buscar melhores condições de vida precisam ser respeitados. E isso só acontece quando a democracia é a base para as nossas leis, decisões e projetos. Sendo assim, a cada dia mais e mais pessoas precisam entender o significado de democracia, respeitar as suas regras e defender seus princípios. A partir disso, fica mais fácil ver que os outros caminhos são muito ruins para a nossa sociedade.

Numa ditadura, o ser humano perde valor. Quando um grupo manda e usa de força para fazer os demais obedecerem, morre a liberdade, a criatividade e até a alegria. E qualquer manifestação pública pode ser punida com prisão.

No dia 16, um grupo invadiu a Câmara dos Deputados, pedindo fechamento do parlamento e também intervenção militar no país. Ironicamente, essas pessoas precisam ser avisadas que esse tipo de manifestação só é possível em uma democracia.

Nessas horas, lembro uma frase do peruano Luis Felipe Algell de Lama. Ele dizia: ‘As melhores coisas sobre a liberdade têm sido escritas no cárcere.’ Ou seja, só quando perde a liberdade, a pessoa começa a dar mais valor a ela. Hoje, 21 anos após o fim da última ditadura brasileira, ainda existem pessoas com pensamento autoritário. Algumas pessoas que nasceram já sob a democracia têm dificuldade de entender seu valor.

A democracia é uma forma de governo, pela qual as regras são feitas pelo povo e para o povo. Na democracia brasileira, um item importante a ser discutido e melhorado é a representatividade. Ou seja, em que medida os que foram eleitos levam para o Legislativo os anseios da maioria da sociedade? E, mais, as regras que estão postas hoje podem levar a escolher pessoas que representam melhor nosso povo?

Negros e mulheres são alguns dos grupos que têm poucas cadeiras no Congresso. Isso quer dizer que são pouco representados na ‘casa do povo’. Mas isso pode mudar. É pela liberdade de lutar que essas pessoas vão poder ser mais ouvidas no Legislativo. Isso porque estamos numa democracia, em que usamos a política para cuidar das regras e direitos que devem valer para todos.

E tem mais: sem política, não existe democracia. As nossas atitudes, antes e depois do voto, é que vão definir se o político vai desempenhar o papel que esperamos dele. A palavra política tem tudo a ver com as cidades, ou seja, com tudo é que é coletivo. Por isso, como nós vivemos em grupo, estamos o tempo todo agindo como políticos.

O episódio do dia 16, na Câmara, mostra que até quem não acredita na política, quando pede mudanças, bate à porta das instituições criadas pela política. É por isso que essa ‘casa do povo’ costuma ser a primeira vítima das ditaduras: é nela que o povo deposita suas críticas, suas decepções, mas também suas esperanças.

Nela, procuro exercer meu mandato de deputado federal de forma democrática: ouvindo os maranhenses, prestando contas e melhorando, a cada dia, minha forma de atuar. Estou nesse cargo pela força da democracia: foi o povo quem me escolheu e é para ele quem trabalho. Junto com o poder do povo, poderemos seguir lutando e melhorando a vida no Maranhão e no Brasil.

Por fim, faço um convite a todos que acreditam na democracia e na paz, que é seu objetivo maior, por meio da conquista da justiça. São Luís tem a hora de receber esses dias a Conferência e Assembleia Mundial pela Paz e a 4ª Assembleia Nacional do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), até 20 de novembro. Participe do evento no Hotel Luzeiros, que faz parte da programação do Novembro pela Paz, apoiado pelo Governo do Estado.